Adiamento do Gre-Nal após ataque a ônibus gera conflito de versões
Reunião que definiu pela suspensão do clássico teve discordâncias e "ar tenso" no Beira-Rio. Presidente do Grêmio evitou entrevista coletiva ao lado do mandatário colorado
A reunião que decidiu pelo adiamento do Gre-Nal 435 por conta do ataque ao ônibus do Grêmio na tarde de sábado foi demorada, de "ar tenso" e divergências entre os presidentes da Dupla. O Tricolor reclama da narrativa colorada de desequilíbrio técnico na competição. O Inter responde com o argumento de que também foi "vítima" do episódio.
O diálogo para mudar o rumo do clássico pela 9ª rodada do Campeonato Gaúcho teve mediação do presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) Luciano Hocsman. As conversas iniciaram por volta das 19h10, quando o dirigente chegou ao Beira-Rio após acompanhar o clássico Ca-Ju em Caxias do Sul.
A dupla Gre-Nal esteve representada pelos principais dirigentes administrativos e responsáveis pelo futebol. Relatos feitos ao ge dão conta de que a postura dos envolvidos foi de "alto nível", mas que o clima sempre esteve pesado.
"Foi uma conversa um pouco mais dura em alguns momentos. Em outros, mais leve, mas com a força em conjunto para ter uma saída e de montagem de calendário para acertar essa data do Gre-Nal. Precisamos de alguma forma passar para o torcedor que o futebol tem sua paixão, mas tem também a parte lúdica, do jogo. Se formos tratar de forma agressiva, ao invés de agregar, vamos separar, e nossa paixão tende a se encaminhar para o fracasso", disse Hocsman.
Em determinados momentos, houve incompatibilidade de posicionamentos. Os motivos foram o desencontro de soluções a respeito das novas datas para o clássico 435 e, principalmente, a manifestação do Inter de que também seria uma das vítimas do ocorrido, o que gerou forte desconforto pelo lado tricolor.
Aparadas as arestas, ficou definido que os três presidentes - de Inter, Grêmio e Federação - concederiam entrevista lado a lado para explicar a decisão conjunta. Mas não foi o que aconteceu. Romildo Bolzan Júnior resolveu atender à imprensa separadamente, em um espaço lateral dentro da sala de conferências do Beira-Rio.
O mandatário gremista não participou do pronunciamento porque, segundo fontes ouvidas pelo ge, o Inter tentaria vender uma versão com a qual o clube não concordava. Para evitar constrangimento ou passar uma imagem condizente com a narrativa vermelha, optou-se por outro plano.
Divergências desde a chegada ao estádio
A emboscada para o ônibus do Grêmio aconteceu por volta das 17h15, na chegada ao estádio. Logo após o desembarque no Beira-Rio, foi informado que Villasanti iria ao hospital - suspeita de traumatismo craniano - e que outros jogadores, como Thiago Santos e Campaz, também estavam feridos.
A primeira manifestação veio de Bolzan. Ele foi aos microfones e se posicionou de forma efusiva. Cravou o pé que o Grêmio não entraria em campo, alegando incapacidade técnica e psicológica à disputa da partida.
A resposta do lado vermelho demorou. Pouco antes das 19h, horário original do jogo, o presidente Alessandro Barcellos subiu ao gramado e demonstrou concordância com a suspensão. Entretanto, causou polêmica ao criticar a imprensa e citar um possível "desequilíbrio técnico" no campeonato.
"O Internacional concorda com a não realização da partida. Mas se preocupa também com o desequilíbrio técnico do campeonato. Vamos conversar de forma tranquila para resolver. Nós temos jogadores pendurados, outros que podem não jogar mais à frente. Esse argumento já foi usado, nós também estamos preocupados com o futuro do campeonato", afirmou.
Horas depois, já com a reunião entre os presidentes finalizada, Romildo Bolzan Júnior voltou a conversar com a imprensa. Ele elogiou a intermediação por parte da FGF, mas se mostrou incomodado ao responder uma questão sobre a relação com o rival a partir de agora.
"O Internacional tem uma narrativa dos fatos. Nós, de certa forma, não concordamos com todas suas narrativas, mas é um direito que ele tem de expressar aquilo que imagina o que aconteceu. O Grêmio é vítima. O Grêmio sofreu um atentado. Não podemos trocar de papéis", Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio.
"Vamos tirar todos os proveitos pedagógicos desse fato, vamos buscar as responsabilizações, tudo que tem que fazer para que isso seja evitado. Mas semana que vem, se o jogo for marcado, estaremos aqui para jogar", assegurou Bolzan.
Na entrevista conjunta entre Barcellos e Hocsman, o mandatário colorado foi perguntado sobre as divergências de pontos de vista dos clubes e a ausência de uma liderança gremista no pronunciamento.
"A única questão que tenho obrigação de pontuar é que o Internacional também é vítima deste episódio. A camisa de uma pessoa que toma uma atitudes dessas amanhã pode ser de outro clube e estaremos aqui novamente lamentando. Nós estávamos mobilizados, era um jogo importante. Então, também somos vítimas", explicou Barcellos.
"O fato de ele (Romildo) não estar aqui não é impeditivo de que não podemos construir algo juntos. Vamos buscar soluções. A rapidez na identificação dos responsáveis mostra que estamos prontos para resolver essas questões", Alessandro Barcellos, presidente do Inter.
O dia 26 de fevereiro de 2022 é uma página negativa para os 113 anos de história do Gre-Nal. A data do clássico 435 será remarcada nas próximas horas. Torcida única ou portões fechados são alternativas que não estão descartadas.
A Dupla volta a campo no meio de semana pela Copa do Brasil. O Grêmio pega o Mirassol às 21h30 de terça-feira, enquanto o Inter encara o Globo-RN na quinta, em mesmo horário. Os dois gaúchos atuarão fora de casa com a vantagem do empate para passar de fase.
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