Divulgação / Grêmio
Essa noite, depois de ler chocado as notícias sobre os ataques ao ônibus do Grêmio, tive alguns sonhos. Andava de bicicleta pelos arredores da USP, tal qual fazia quando tinha 15 anos, encontrava alguns amigos jornalistas, como acontecia na época em que era repórter de campo. E ia para o Morumbi assistir um jogo com torcida mista, do jeitinho que fiz desde os 8 anos de idade. Quando as coisas pioram desse jeito, é inevitável ser saudosista.
Vou aos estádios desde criança. É visitar jogos de futebol na infância que moldou minha carreira e consequentemente minha vida. Minhas primeiras estatísticas, no começo da década de 80, foram anotadas em caderninhos e agendas após meu pai me levar para assistir uma partida, final de Brasileirão, que nem do meu time de coração era. Vi o Santos vencer o Flamengo de Zico, que tenho enorme admiração desde então. Mas hoje em dia é até complicado dizer o time de infância por conta de ataques de haters. Mas toda minha existência poderia ter sido diferente se eu não tivesse tido esse privilégio.
Já vi cenas deploráveis nos arredores dos estádios nos anos 90. Pai saindo de mão dada com filho pequeno e ser chutado ou obrigado a tirar camisa do time. Aberrações. Humilhação. Violência. Mas vivi momentos de muita alegria com meus dois filhos mais velhos desde pequenos me acompanhando aos jogos. Esses passeios são parte importante de nossa história juntos, como aquele jogo, em 1983, é parte da história que construí com meu pai.
Vamos ter que blindar os ônibus de jogadores agora?
Quando vi as fotos do goleiro Danilo Fernandes, do Bahia, e do volante Villasanti, do Grêmio, após os inexplicáveis ataques aos ônibus dos times, fiquei pensando no que sentiria se visse os meus ídolos do futebol na infância machucados pelos adversários. O ódio faz nascer mais ódio, não é?
Depois de sonhar que havia ido casualmente ao estádio após encontrar amigos, acordei pensando na solução para a violência recente. Aonde tanto ódio pelo diferente pode nos levar? Que tempos sombrios em que a solução para rivalidade são bombas e pedras. Teremos que blindar os ônibus de times? E a torcida? Após dois anos de pandemia, não deveríamos ter outros medos - futebol não combina com nada disso.
O ódio nas redes sociais, acentuadas e inflamadas muitas vezes por dirigentes sem noção que deveriam tratar clubes como irmãos e não inimigos, só piora a situação. Não existe Grêmio sem o Inter e vice-versa. O gostinho é sempre vencer o adversário em campo e não fora de dele. O legal é terminar à frente do 'rival esportivo'. Não dá nem para chamar de torcedor quem comete essas barbáries. Mas esses imbecis são os mesmos que estão juntos muitas vezes em outros encontros, com festas, churrascos, trabalho e não agem de forma. Basta vestir a camisa do time ou de uma torcida organizada para se tornar animais irracionais.
Meu filho mais novo fará 5 anos na próxima segunda-feira. Havia prometido que, quando ele tivesse essa idade, o levaria ao estádio, como fiz com os dois mais velhos. Crianças que cresceram em tempos de pandemia vivem de promessas de uma vida normal. Fotos de jogadores ensanguentados, cancelamentos de jogos, medo e perplexidade não têm a ver com a festa da torcida que gostaria de mostrar para ele.
Ei, João, seu aniversário está chegando. Mas eu já não sei se poderei cumprir minha promessa.
#gremio #imortal #tricolor #opiniao #estadios #violencia
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Vou aos estádios desde criança. É visitar jogos de futebol na infância que moldou minha carreira e consequentemente minha vida. Minhas primeiras estatísticas, no começo da década de 80, foram anotadas em caderninhos e agendas após meu pai me levar para assistir uma partida, final de Brasileirão, que nem do meu time de coração era. Vi o Santos vencer o Flamengo de Zico, que tenho enorme admiração desde então. Mas hoje em dia é até complicado dizer o time de infância por conta de ataques de haters. Mas toda minha existência poderia ter sido diferente se eu não tivesse tido esse privilégio.
Já vi cenas deploráveis nos arredores dos estádios nos anos 90. Pai saindo de mão dada com filho pequeno e ser chutado ou obrigado a tirar camisa do time. Aberrações. Humilhação. Violência. Mas vivi momentos de muita alegria com meus dois filhos mais velhos desde pequenos me acompanhando aos jogos. Esses passeios são parte importante de nossa história juntos, como aquele jogo, em 1983, é parte da história que construí com meu pai.
Vamos ter que blindar os ônibus de jogadores agora?
Quando vi as fotos do goleiro Danilo Fernandes, do Bahia, e do volante Villasanti, do Grêmio, após os inexplicáveis ataques aos ônibus dos times, fiquei pensando no que sentiria se visse os meus ídolos do futebol na infância machucados pelos adversários. O ódio faz nascer mais ódio, não é?
Depois de sonhar que havia ido casualmente ao estádio após encontrar amigos, acordei pensando na solução para a violência recente. Aonde tanto ódio pelo diferente pode nos levar? Que tempos sombrios em que a solução para rivalidade são bombas e pedras. Teremos que blindar os ônibus de times? E a torcida? Após dois anos de pandemia, não deveríamos ter outros medos - futebol não combina com nada disso.
O ódio nas redes sociais, acentuadas e inflamadas muitas vezes por dirigentes sem noção que deveriam tratar clubes como irmãos e não inimigos, só piora a situação. Não existe Grêmio sem o Inter e vice-versa. O gostinho é sempre vencer o adversário em campo e não fora de dele. O legal é terminar à frente do 'rival esportivo'. Não dá nem para chamar de torcedor quem comete essas barbáries. Mas esses imbecis são os mesmos que estão juntos muitas vezes em outros encontros, com festas, churrascos, trabalho e não agem de forma. Basta vestir a camisa do time ou de uma torcida organizada para se tornar animais irracionais.
Meu filho mais novo fará 5 anos na próxima segunda-feira. Havia prometido que, quando ele tivesse essa idade, o levaria ao estádio, como fiz com os dois mais velhos. Crianças que cresceram em tempos de pandemia vivem de promessas de uma vida normal. Fotos de jogadores ensanguentados, cancelamentos de jogos, medo e perplexidade não têm a ver com a festa da torcida que gostaria de mostrar para ele.
Ei, João, seu aniversário está chegando. Mas eu já não sei se poderei cumprir minha promessa.
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