Abigail Costa abraçou o jornalista Marcelo Gomes minutos antes da primeira apresentação de "Mulheres do Microfone", na sede da Disney, em São Paulo. Mais do que um gesto de carinho, foi um agradecimento: "Você resgatou a minha história e hoje eu posso contá-la graças a você".
A jornalista de 59 anos é uma das 18 entrevistadas por Gomes para o documentário, que estreia na grade da ESPN Brasil neste sábado (27), às 19h30 (de Brasília). Uma versão sem cortes já está disponível no Star+.
Muito mais do que apresentar a trajetória feminina na imprensa esportiva brasileira, "Mulheres do Microfone" é a oportunidade de enxergar situações que só elas enfrentam nessa profissão.
São histórias jamais contadas por um grupo eclético, de diferentes gerações e regiões do Brasil, que tem em comum a competência e a coragem para enfrentar esse ambiente ainda hoje hostil e repleto de desconfiança de colegas, jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores.
"Eu agia como homem sem ter a menor vocação. Eu era mulher sem poder ser. Ali eu era só profissional", diz Regiani Ritter em trecho do "Mulheres do Microfone".
Documentário "Mulheres no Microfone" já está disponível pela ESPN no Star+
Resgate, Respeito e Reflexão
O documentário inicia com um resgate que já surpreende. A presença da mulher nesse universo é recente. Remonta aos anos 70, com Claudete Troiano transmitindo jogos pelo rádio.
Regiani Ritter veio em seguida. Passou a cobrir os clubes de São Paulo em 1983, época em que já era reconhecida como uma das mais talentosas jornalistas da sua geração. O desafio para ela não era provar essa competência no esporte, mas mostrar que naquele espaço também cabia a mulher.
"Quando eu comecei [no jornalismo], a Lillian Witte Fibe era a bam-bam-bam da economia. Quer dizer que mulher podia falar de economia, mas não podia falar de futebol?", diz no documentário.
Foi o que ela fez com furos de reportagens, perguntas contundentes e coragem. Regiani Ritter alcançou no esporte o mesmo prestígio que tinha em outras editorias. Os depoimentos dela ao trabalho de Marcelo Gomes são fortes, surpreendentes e reveladores, mesmo quase 40 anos depois.
"Um conselheiro do São Paulo uma vez quis me expulsar do vestiário falando que não era lugar de mulher. Falei: "O senhor é treinador? É preparador físico? É massagista? É médico? Não!? Então, o que o senhor está fazendo aqui? O senhor veio entrevistar jogador? Porque eu vim trabalhar. Eu vim entrevistar jogador". Aí ele falou: "Eu sou conselheiro". Eu respondi: "Tem reunião do conselho aqui no vestiário? Não tem!? Então, o senhor veio ver jogador pelado. Eu não", diz.
Abigail não integrou o primeiro grupo, mas também é uma pioneira. Formada em jornalismo na mesma turma de Roberto Cabrini, ela trabalhou por 18 anos na TV Globo e por muito tempo foi apresentadora do "Globo Esporte", já na segunda metade da década de 80.
O abraço e a confissão dela para Marcelo Gomes, responsável pelo roteiro, pela pesquisa e pelo trabalho de reportagem de "Mulheres do Microfone", têm muito a ver com o peso que carregou.
"Quando me perguntam quem eu sou, sempre digo que sou Abigail Costa. Sou mãe do Gregório e do Lorenzo. Sou estudante de psicologia. Não falava do meu passado na televisão e no jornalismo porque aquilo ficou para trás. O Marcelo me fez reviver tudo isso e, mais do que isso, me fez ver que eu tive uma importância nessa história", disse à reportagem, emocionada.
O documentário é corajoso nesse sentido por escancarar episódios de machismo e misoginia. Inclusive recentes, como vão revelar a narradora Isabelly Morais, hoje do Grupo Globo, e Mariane Pereira, comentarista dos canais ESPN, ou mesmo em casos mais antigos e jamais revelados por Ivana Negrão, editora e comentarista na ESPN, e Marcela Rafael, apresentadora da emissora.
Isabel Tanese, Wania Westphal e Marisa de França se misturam com gerações mais jovens, como Natalie Gedra, Gláucia Santiago, Milla Garcia, Elaine Trevisan e Natália Ferrão, com relatos relevantes, mas que não tornam o documentário pesado. Há espaço para a leveza também, com histórias divertidas que só o olhar dessas mulheres poderia conseguir. Por exemplo, um furo que somente Simone Mello conseguiu de Pelé. Além do depoimento final emocionado e emocionante de Luciana Mariano sobre essa trajetória.
Até fora das câmeras o trabalho feminino foi relevante. A produção foi conjunta com Verônica Bianchi. A edição e finalização contou com a sensibilidade e o talento de Ana Watanabe. A captação foi dos competentes Jeziel Silva e Evandro Marcel Fontana, auxiliados por Lucas Becker e Josimar Almeida.
O documentário é uma expressão de Marcelo Gomes contra o machismo, contra o preconceito, contra a prepotência e a favor do jornalismo sério, bem pautado, bem conduzido e relevante.
"Mulheres do Microfone" tem ainda outro mérito. Ao resgatar e mostrar respeito pela presença feminina na imprensa esportiva, provoca reflexões e certamente vai estimular uma nova geração de mulheres a fazer parte da imprensa esportiva para que essa história prossiga firme e forte.
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